Existe um sintoma que quase sempre é mal diagnosticado: o PC começa bem, esquenta, e o FPS cai. A pessoa troca configuração gráfica, reinstala driver, formata o Windows — e o problema volta sempre, porque a causa nunca esteve no software.
Quando processador ou placa de vídeo passam do limite térmico, o próprio hardware reduz a velocidade para não se danificar. Isso se chama throttling térmico, e é uma proteção, não um defeito. O problema é o que você perde no caminho.
Como saber se é throttling térmico
Três sinais quase inconfundíveis:
- A queda é gradual, não instantânea. Você joga bem por 10, 15, 20 minutos e o FPS vai descendo aos poucos.
- Reiniciar o jogo resolve por um tempo. Volta bom, depois cai de novo.
- Se o PC descansa, melhora. Parou 15 minutos, voltou bom — sinal claro de temperatura.
Se a queda acontece já nos primeiros segundos ou é abrupta demais, provavelmente não é térmico: olhe memória, disco ou plano de energia.
Quais temperaturas são normais
Muita gente se assusta com número alto sem necessidade. Os valores de referência em jogo:
- Processador: até 80 °C é normal em carga. Entre 85 e 90 °C é zona de atenção. Acima de 95 °C, o throttling já está acontecendo.
- Placa de vídeo: até 83 °C é normal, e placas modernas trabalham nessa faixa por projeto. Acima de 87 °C começa a perder desempenho.
- Notebook: costuma trabalhar mais quente que desktop por natureza. 85 a 90 °C no processador é comum, e não significa defeito — significa pouco espaço para dissipar.
O que importa não é o pico isolado, e sim quanto tempo o hardware fica no limite. Bater 90 °C por dois segundos numa cena pesada não é problema. Ficar em 90 °C a partida inteira, é.
As causas, da mais comum para a menos
1. Poeira acumulada
É a campeã absoluta. A poeira se acumula nas aletas do dissipador e forma uma manta isolante. O cooler continua girando, o ar continua passando — só que o calor não sai. Em ambiente comum, uma limpeza a cada 6 a 12 meses resolve.
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2. Pasta térmica ressecada
A pasta entre o processador e o dissipador seca com o tempo. Em uso intenso, dura de 2 a 3 anos. Depois disso, a transferência de calor cai muito e o efeito é exatamente o throttling. Em notebook usado para jogar todo dia, esse prazo é ainda menor.
3. Fluxo de ar do gabinete
Não adianta ter muitos coolers se o ar não tem caminho. O básico funciona: entrada na frente e embaixo, saída atrás e em cima. Gabinete encostado na parede, com vidro fechado sem entrada de ar, ou no chão de carpete puxando poeira — todos sabotam o resfriamento.
4. Notebook em superfície errada
Cama, sofá, travesseiro e colo bloqueiam as entradas de ar, que na maioria dos notebooks ficam embaixo. Uma base rígida qualquer já muda a temperatura em vários graus.
5. Curva de ventoinha conservadora
Placas de vídeo saem de fábrica com curva silenciosa: a ventoinha só acelera quando já está quente. Ajustar a curva para subir mais cedo troca um pouco de barulho por temperatura bem menor.
O que resolve, na ordem certa
- Limpeza física — a mais barata e a que mais resolve.
- Melhorar o ambiente — tirar da parede, do carpete, do móvel fechado.
- Ajustar a curva de ventoinha — grátis e imediato.
- Trocar a pasta térmica — se o PC tem mais de dois anos de uso pesado.
- Limitar o FPS — travar num valor que o PC sustenta reduz carga, temperatura e ainda entrega jogo mais constante.
- Undervolt — reduzir a tensão do processador ou da placa mantendo a frequência. É o ajuste mais elegante: menos calor com o mesmo desempenho. Exige teste de estabilidade, então é o último da lista.
Um detalhe que confunde muita gente
Nem toda perda de desempenho com o tempo é térmica. O plano de energia do Windows também reduz frequência sozinho, e o sintoma se parece muito. A diferença: no caso térmico, o PC precisa esfriar para melhorar; no caso do plano de energia, a oscilação acontece o tempo todo, mesmo com a máquina fria.
Por isso vale medir antes de gastar: uma leitura de estabilidade sob carga mostra se o processador está mantendo ritmo constante ou oscilando — e isso separa os dois casos em segundos, sem abrir o gabinete.
Perguntas frequentes
Processadores e placas modernas se protegem sozinhos e desligam antes de queimar, então o risco de dano é baixo. O que você perde é desempenho: acima de 90 °C no processador ou 87 °C na placa de vídeo, o hardware já está reduzindo a própria velocidade. O que preocupa não é o pico isolado, é ficar nesse patamar a partida inteira.